Eu trabalho em um call center enquanto faço um documentário que será meu projeto de formatura. Com um ouvido colado ao telefone, tentando desesperadamente escapar do passado, do futuro ou de qualquer lugar que não seja aqui, recebo ligações de pessoas que me contam suas histórias de vida. Essas histórias, vozes, silêncios e suspiros, que a empresa descartará por não terem valor informativo, me atravessam e se infiltram pelo denso tecido das divisórias que me cercam por três lados, registrando-se como sutis manchas. Mensagens se acumulam em minha caixa postal, que ainda não abri.